Domingo, Agosto 09, 2009

diário eneliano.


Além das histórias hilárias, do aprendizado e de todas as lembranças lindas de doze dias perfeitos às margens da Cidade Maravilhosa, eu trouxe na bagagem um intruso nada bem vindo chamado H1N1.
Mas antes dele, muuitas coisas mais bonitas e interessantes aconteceram nessa viagem.

Dia 16/07, os trinta e sete estudantes completamente sedentos por aventuras acadêmicas deixaram Belém no tão aclamado ônibus do Seu Souza e, ao que se pôde notar, sem a mínima saudade daqui. Eu, pelo menos, certamente.
Rumo ao Encontro Nacional dos Estudantes de Letras, a ânsia de chegar logo e de atravessar as estradas era o ingrediente principal. E também a de sentir frrrriiiooooo! Frio este que nos surpreendeu já na metade do país, com direito a fumacinha saindo da boca, modelitos outono-inverno e a Festa do Esquenta! Tudo isso ainda dentro do ônibus!

Entra, sai, para e come.
- Vais tomar banho?
- Não com essa fila enorme no banheiro!
- E tu?
- Não com esse frio de congelar!

Sobe todo mundo!
- Galera, vamo sentar aí, o Renan tem que contar pra ver se tá todo mundo no ônibus.
- Um, dois, três... trinta e seis.
- Falta um!
- Quem tá faltando levanta o braço aí!

Sai todo mundo!
- Porra, cagaram no ônibus!
- Eu caguei mas não fui eu!
- Pô, galera, a gente já tinha combinado que dentro do ônibus é só líquido!

Festa do Esquenta, galera!
- Viado no mato é bicho corredor!
- CORRE VIADO, LÁ VEM CAÇADOR!

- Caramba, pisaram na minha cabeça!
- Égua, pegaram na minha bunda!
- Peito, bunda! Peito, bunda! Peito, bunda!
- Hum, delíííícia!
- Ai minha castanha!
- Castanha?
- Meninos têm ingás, meninas têm castanhas. (Simples assim.)
- Se ela já namora, eu também já namorei!
- Ca**lho, o Snoopy tá vomitando, dooooooido!
- Senta aí, Snoopy, fica quieto!
- Não, quero ir no banheiro!
- Senta logo aí, Snoopy!
- Não, quero levantar!
- SENTA AÍ, PORRA!
- Pô, foi mal...


As aventuras foram tantas que, mal tínhamos pisado no Rio e já tínhamos um livro de histórias pra contar aos netos. Depois de curtir a vista ma-ra-vi-lho-sa da Universidade Federal Fluminense, fazer o credenciamento e saborear o ironicamente delicioso jantar do Bandeijão da UFF (frango, arroz, feijão e purê de 'abróba'), atravessamos pro Rio de barca e fomos rumo à Lapa!
Ah, a Lapa! O bairro mais boêmio do Brasil! E, pra quem soube aproveitar, o mais divertido do mundo!Pasmem, mas acreditem: a latinha de Skol é R$1,50! Dá pra imaginar tooodas as consequências disso, né? Teve quem se perdeu na Lapa, quem dançou funk na Lapa, quem beijou na Lapa (Ellen, minha querida, essa foi pra você!), quem dormiu na Lapa (não comentem nada sobre isso), quem não se garantiu na Lapa, quem brincou de 'eu nunca' na Lapa e quem amanheceu na Lapa! Pegamos a barca de volta às 6h30 da manhã (desculpa, Fabrício, por não te deixar dormir direito preocupado nesse dia! =)) e, já no domingo, a rotina acadêmica começou. Não me perguntem como eu consegui assistir às comunicações amanhecida, mas eu consegui!

Dormindo em média 3h por noite (ou por dia, no nosso caso), divididos entre as festas regionais na tenda montada na UFF, os passeios ao centro de Niterói e os compromissos acadêmicos, oficinas e mini-cursos, levamos a semana toda. Perdi grana no banheiro feminino, fui assaltada às margens do rio mas, mas graças aos meus amigos e a um em especial, não me faltou nada, muito menos diversão ("Iiixi, é o que mais tem!").


Falando nisso... a Festa Norte! Todas as noites, no Gragoatá (Campus da UFF onde fica o bloco de Letras e que sediou o evento), uma festa homenageava uma região do país. Não há dúvidas, claro, que a melhor foi a Norte, com tempo quase integral dedicado ao Pará. Matamos a saudade do Carimbó e Tecno-Brega, regados à doses da Tequila da Brena, que bebemos na cuia, como bons paraenses! Depois da Lapa, foi o melhor dia! Quem diria, até o Fabrício bebeu! Aleluia, José Cuervo!
O melhor de tudo isso, na verdade, foi a integração da galera. O 2º ano da noite em peso, os poucos do 2º ano da manhã, os veteraníssimos da tarde e uma única calourinha. O Pará levou cinco ônibus, mas tenho certeza que a UEPA comandou. Amizades foram feitas, refeitas, criadas. Pegação, castanhada e até corações apaixonados. Snoopy e eu conhecemos um carioca gente boníssima, o Danilo. Pena que depois ele não lembrava da gente. Ganhei a amizade sem igual da Beatriz, a castanhinha mais louca que já conheci. Pude conhecer melhor duas pessoas maravilhosas, Brena e Ellen, que se mostraram amigas pra todas as horas, boas ou ruins. Declarei, mais uma vez, todo o meu amor e amizade pro Fabrício e me lembro de tudo que eu falei, hein?

Na quinta-feira, dia 23/07, foi nosso dia de turistar.
Subimos mais uma vez no Souza-Móvel e cruzamos a ponte Rio-Niterói pra conhecer o que desse. A gente viu muita coisa sem descer do ônibus, mas quando descemos foi só pra completar a perfeição de toda a viagem.
Uma caminhada do início de Ipanema ao Leme me deixou mais apaixonada pelo Rio do que eu sempre fui. Conversamos com o Drummond, passeamos pelo calçadão, demos uma de gringo pechinchando canga na praia (Snoopy, nunca esqueça que você "tem cara de brasileiro liso!") e tiramos fotos, muitas fotos! Sem contar no almoço maravilhoso e que deu a forra de todos os outros dias de frango-arroz-feijão-e-purê-de-abróba. Perfeito.


Entre tudo que pode e não pode ser revelado aqui (=P), durante essa viagem aconteceu muuuita coisa e, sem sombra de dúvida, todas ficarão na memória para sempre.

Já tô com saudade do Rio!
Até o ano que vem na Paraíba, ENEL, com certeza!

Terça-feira, Julho 14, 2009

e vamo que vamo, erre jota!

O friozinho na barriga chega antes mesmo da baixa temperatura que eu vou pegar por lá e, confesso, um medinho regado à nervosismo me consome peeeeso!
O que me conforta é o pacto feito entre a galera: aproveitar ao máximo! Depois da odisséia das vendas na praça, de alguma coisa boa tem que servir essa viagem, afinal. Bom, pelo menos o aprendizado característico dos congressos estudantis servirá, se é que me entendem.
Todos os domingos, enquanto o Fabrício carregava na cabeça o isopor entupido de gelada e eu estragava minhas pregas vocais gritando o preço sob o sol à pino, a gente se prometia que esse congresso ia ter que valer a pena.
Chegou a hora, finalmente. O ônibus sai daqui a algumas horas, rumo à Niterói e seus 15ºC. Eu preferia calor, praia e banho de mar, mas me conformo em charlar umas roupitchas diferentes, é bom pra sair da rotina calorenta do Pará.
Aos que ficam, deixo a gratidão a quem até dinheiro me deu pra viajar, a saudade do namoradinho e os posts cheios de fotos lindas que vou fazer!
Até a volta! =)

Quarta-feira, Abril 22, 2009

porque o importante é Ele!

Foi quando o Léo resolveu pagar um ingresso pra mim que eu resolvi conhecer algo novo. Eu não queria ir, confesso, mas agradeço pela hora em que dei a minha palavra de que iria. Mal não ia fazer, afinal.
Eu já tinha uma visita a um culto no meu acervo de experiências estranhas, mas o show da Aline Barros foi... diferente... e lindo.
Não, eu não me converti - nem pretendo -, mas a boa vibração que emana daqueles louvores é algo que vou carregar comigo eternamente, com certeza. Isso sem contar na experiência social em si. É emocionante ver todas aquelas mãos erguidas e todos aqueles olhares lacrimejantes reunidos por um mesmo propósito que, apesar da divergência gritante da minha crença, é igual ao meu.
Obrigada, Léo!

Domingo, Março 15, 2009

viva a professorinha!

Quem me ouviu falar dos professores (e dessa profissão) há uns poucos anos atrás não acreditará em nada desse post, aviso logo.

Apesar de criada em meio a sete mulheres que devem suas vidas ao magistério, eu não cansava de falar mal da profissão de professor e rejeitava toda e qualquer hipóstese de um dia eu vir a me tornar algo sequer parecido com isso. Pois é, como boa metamorfose ambulante que sou, isso mudou.
Depois da traumatizante experiência de largar o curso de Jornalismo e da frustração de não entrar na Federal, me contentei em passar uma chuva no curso de Letras enquanto não tinha meu mundo jornalístico de volta. Aquela coisa: é UEPA, não tô pagando mesmo...
Mas, para minha surpresa, disciplinas como Docência, Didática e Filosofia da Educação foram abrindo meus olhos para um novo mundo e, quem diria, para uma nova forma de ver meu mundo antigo. E melhor ainda sendo costuradas a estudos linguísticos e viagens literárias.
Não deixei de lado o sonho e a vontade de ser jornalista e, estou certa disso, jamais deixarei. Mas, numa licenciatura, encontrei uma Lívia entusiasmadamente sedenta de ensinar, de fazer da educação a mudança dos sonhos de muitas outras pessoas também.
Quero ensinar, ensinar, ensinar! E aprender, aprender muito!
Por enquanto, o ASLAN supre essa minha gana frenética de brincar com quadros magnéticos, pincéis e um idioma apaixonante. Mas é ainda a metade do primeiro passo de uma caminhada que não vai acabar tão cedo, tenho certeza.

Domingo, Fevereiro 15, 2009

carta ao vestibular.

Querido Vestibular,

Quanto tempo não nos vemos! Não que eu sinta qualquer indício remoto de saudade, mas é sempre bom entrar em contato com velhos amigos. Mesmo que estes não tenham sido tão bons amigos assim.
Te escrevo esse ano somente para dar notícias, claro que propositalmente com a (má)intenção de te jogar na cara todas as vitórias que conquistei durante todo esse tempo sem te ver.
Não pense que esqueci que ainda tentaste me derrubar da última vez, hein? Como se não bastasse me deixar fora de dois listões seguidos, no terceiro mexeste teus pauzinhos pra me ver pelas costas também. Mas, como avisei na carta anterior, eu não deixei que isso acontecesse. Meu nome não saiu no listão porque tu não me deixaste passar, mas, graças a alguns desinteressados por ti, uma cartinha da universidade jogou seu anzol e me pescou, me convidando a preencher uma vaga desperdiçada.
Como se não bastasse, a maré da bonança profissional encheu e desde então todos os caminhos que eu segui me distanciam cada vez mais da tua desagradável presença. Graças a Deus. Graças a mim. E (por que não?) graças a ti também, que foste fraco e imbecil o suficiente pra te deixar tapear.
No mais, não te vejo jamais.

Afortunadamente longe de ti,
Uma graduanda.

a primeira carta está aqui.
a segunda, aqui.

de uma apaixonada, eu.

Há quem, nesse mundo, ame (tanto)
Aquela flor sempre a sorrir.
Há quem não conheça nunca o pranto
Daquela que se esconde em si.


Lívia Mendes

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

pra falar a verdade.

Estou num momento irritadinha, sim, corri pra escrever!



Cansei. Dia desses soube de alguém que disse ter pena de mim por eu ser boazinha demais. Não sei por que escrevo sobre isso agora, sei que não mereço todas as maldades do mundo, mas, me poupe, também não quero ser digna de pena por algo que eu considero uma virtude. Mas que se eu pudesse, não queria ter.

É um fardo terrível ser conhecida por todos pelo sorriso eterno. Terrível. Parece que esquecem um pequeno detalhe sobre a minha condição de ser humano nessa fase que chamamos vida. Cansei de ouvir que estou sempre feliz, que acho tudo bonito, que sou amiga de todos. Não sou nem metade.

Não estou sempre feliz e não suporto que alguém pergunte o que eu tenho quando a situação se inverte. Meu sorriso não é eterno, eu também tenho maxilar. E paciência limitada. E lágrimas. Eu também sinto dor, vontade de ficar sozinha e aversão a quem tenta me animar lembrando meu bom-humor sem fim.

Não sou falsa, pelo contrário. Prefiro guardar meus devaneios só pra mim, talvez por isso todos pensem que sou garotinha amável vinte e quatro horas por dia.

Não me arrependerei de escrever estas linhas: nem todos que ganham um sorriso meu o merecem. Ah, podem ter certeza disso. Acho tosco quem usa blusa de banda de rock quando leva escrito na testa que nunca sequer ouviu um disco inteiro dela. Para mim, é absurdo quem gasta dinheiro com jóias. Acho completamente estúpido quem conta a vida inteira no perfil do orkut ou na frase do msn, ainda mais se for com aqueles símbolos nauseantes que são pura poluição visual. Me agonia ver álbuns com trinta e duas fotos idênticas, geralmente em frente ao espelho ou com a franja (normalmente alisada e igual a de todas as outras meninas) cobrindo um olho. Não suporto essa modinha oi-quero-ser-cult que tá rolando em Belém e acho ridículo quem tá nela para aparecer. Ridículo. Pior aquela do no-scrap-no-add, santa paciência!

Acho o Big Brother asqueroso, programa de um monte de gente sem ter o que fazer vendo outro monte de gente fazendo nada. Me irrita tudo na Mallu Magalhães. Não aguento nem olhar pra tela do computador cuandu veju ki alguein ixcreveu axim. Deus santo, como alguém consegue vibrar num show de sertanejo, saber as letras de cor e até dançar? Argh.

Não entendo porque finjo que tudo isso é alheio a mim, dando corda aos que acham que eu gosto de tudo, que sou sempre riso e nunca pranto. Posso ter soado preconceituosa, mas acho que só estou numa fase nojinho, sendo dessas pessoas que fala tudo que os outros só pensam. Sendo hmana.

Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

Tim-Tim ao Ano Velho.



Não é fácil se desprender de algo extremamente querido. Uma boneca velha, daquelas que já enjoamos de brincar, mas aperta o peito se desfazer. Um par de patins enferrujados, testemunha das quinze cicatrizes nos joelhos e das corridas em meio aos moleques da rua. Um violão batizado em inglês em homenagem ao filme favorito, que só acumula poeira, mas não deixa a decoração do quarto.
Por que, então, dar tchau ao ano que acaba?
Foi difícil, foi. Acumulou alguns deslizes, sim. Segurou milhões de lágrimas, também. Mas reteve tantos sorrisos, tantas conquistas. Desde as medalhas de ouro nas Olimpíadas ou a eleição de um negro para presidente da, disque, potência mundial até o meu primeiro emprego e a minha aprovação no vestibular.
Não mereci os presentes que ganhei do Papai Noel, mas agradeço cada um. Não cumpri a meta de parar de roer as unhas ou emagrecer dez quilos, mas mesmo assim tenho quem me ache linda.
Esse ano conquistei certa independência e redescobri o amor no mesmo lugar onde ele sempre esteve. Aprendi o que é pagar as contas e dividir as obrigações de um lar. Ganhei amigos insubstituíveis e aprendi a lidar com as diferenças entre os que eu já tinha. Aprendi a lição da vida, crescendo junto com a idade do ano que agora vai terminar.
Brindemos o próximo e desejemos tudo que ainda não alcançamos até aqui. Mas que o tim-tim especial seja pelo que não tem mais volta, pelo que o tempo não poderá renunciar, pelo que passou e deixou sua marca.
Feliz Ano Velho!

Domingo, Agosto 03, 2008

novidade, nova idade.

A liberdade, mesmo que aparente, é a melhor das sensações, acredito. Nunca se sentir impotente e nem com medo de arriscar é tão magnífico que deixa saudade antes de acabar. As vezes a vida nos prega peças que até o cara lá de cima duvida, como nas provas do Topa Tudo Por Dinheiro, onde nos puxam o tapete de uma forma que, se não formos bons o suficiente, derrubamos tudo e caímos no chão ao final da brincadeira. Pena a vida não ser uma brincadeira.
Querendo, ou não, o emprego e a tão sonhada aprovação na universidade carregam a tal liberdade consigo. A solteirice repentina, então, prefiro não comentar! Quem sabe sou mesmo uma pessoa grande, ou ainda alguém pequeno tentando enfim crescer!
Talvez eu não volte tão cedo a escrever aqui, ou talvez este seja meu último post. Talvez ninguém leia e nem dê por falta das minhas palavras, ou talvez alguém pense consigo "olha, ela conseguiu mandar o vestibular se f***!" Talvez eu apareça aqui amanhã pra ver se alguém comentou, ou talvez nunca mais olhe isso de novo.
Talvez minha liberdade seja o sinônimo das minhas esperadas férias do mundo, ou talvez me prendeu cada vez mais que me deixa sem tempo pra nada.
Talvez ela seja reflexo de mim, talvez do meu amadurecimento. Da novidade na minha vida. Da minha nova idade.

Sábado, Março 29, 2008

noite-a-noite.

Quase quatro da manhã. A mente já se acostuma com a nova rotina, mas o corpo ainda pede a cama quentinha que ficou vazia em casa. Atrás do extenso balcão, ela procura vencer o sono enquanto cadastra fichas e paga faturas. A cidade inteira dorme enquanto ela trabalha.
É difícil, mas alguém tem que fazer. E ela se orgulha de si mesma por aguentar a noite inteira na recepção do hotel, estudar o pré-vestibular, fazer aulas de inglês, espanhol e canto; e ainda ter tempo para lavar a louça do jantar, passear com o cachorro e paparicar o namorado.
Ela se sente bem em ser útil, em ter certa independência. Se sente em paz depois de tanto padecer. Ela se sente feliz.