Além das histórias hilárias, do aprendizado e de todas as lembranças lindas de doze dias perfeitos às margens da Cidade Maravilhosa, eu trouxe na bagagem um intruso nada bem vindo chamado H1N1.
Mas antes dele, muuitas coisas mais bonitas e interessantes aconteceram nessa viagem.
Dia 16/07, os trinta e sete estudantes completamente sedentos por aventuras acadêmicas deixaram Belém no tão aclamado ônibus do Seu Souza e, ao que se pôde notar, sem a mínima saudade daqui. Eu, pelo menos, certamente.
Rumo ao Encontro Nacional dos Estudantes de Letras, a ânsia de chegar logo e de atravessar as estradas era o ingrediente principal. E também a de sentir frrrriiiooooo! Frio este que nos surpreendeu já na metade do país, com direito a fumacinha saindo da boca, modelitos outono-inverno e a Festa do Esquenta! Tudo isso ainda dentro do ônibus!
Entra, sai, para e come.
- Vais tomar banho?
- Vais tomar banho?
- Não com essa fila enorme no banheiro!
- E tu?
- Não com esse frio de congelar!
Sobe todo mundo!
- Galera, vamo sentar aí, o Renan tem que contar pra ver se tá todo mundo no ônibus.
- Um, dois, três... trinta e seis.
- Falta um!
- Quem tá faltando levanta o braço aí!
- Quem tá faltando levanta o braço aí!
Sai todo mundo!
- Porra, cagaram no ônibus!
- Eu caguei mas não fui eu!
- Porra, cagaram no ônibus!
- Eu caguei mas não fui eu!
- Pô, galera, a gente já tinha combinado que dentro do ônibus é só líquido!
Festa do Esquenta, galera!
- Viado no mato é bicho corredor!
- CORRE VIADO, LÁ VEM CAÇADOR!
- Caramba, pisaram na minha cabeça!
- Égua, pegaram na minha bunda!
- Peito, bunda! Peito, bunda! Peito, bunda!
- Peito, bunda! Peito, bunda! Peito, bunda!
- Hum, delíííícia!
- Ai minha castanha!
- Castanha?
- Meninos têm ingás, meninas têm castanhas. (Simples assim.)
- Castanha?
- Meninos têm ingás, meninas têm castanhas. (Simples assim.)
- Se ela já namora, eu também já namorei!
- Ca**lho, o Snoopy tá vomitando, dooooooido!
- Senta aí, Snoopy, fica quieto!
- Não, quero ir no banheiro!
- Senta logo aí, Snoopy!
- Não, quero levantar!
- SENTA AÍ, PORRA!
- Pô, foi mal...
- Senta aí, Snoopy, fica quieto!
- Não, quero ir no banheiro!
- Senta logo aí, Snoopy!
- Não, quero levantar!
- SENTA AÍ, PORRA!
- Pô, foi mal...
Ah, a Lapa! O bairro mais boêmio do Brasil! E, pra quem soube aproveitar, o mais divertido do mundo!Pasmem, mas acreditem: a latinha de Skol é R$1,50! Dá pra imaginar tooodas as consequências disso, né? Teve quem se perdeu na Lapa, quem dançou funk na Lapa, quem beijou na Lapa (Ellen, minha querida, essa foi pra você!), quem dormiu na Lapa (não comentem nada sobre isso), quem não se garantiu na Lapa, quem brincou de 'eu nunca' na Lapa e quem amanheceu na Lapa! Pegamos a barca de volta às 6h30 da manhã (desculpa, Fabrício, por não te deixar dormir direito preocupado nesse dia! =)) e, já no domingo, a rotina acadêmica começou. Não me perguntem como eu consegui assistir às comunicações amanhecida, mas eu consegui!
Dormindo em média 3h por noite (ou por dia, no nosso caso), divididos entre as festas regionais na tenda montada na UFF, os passeios ao centro de Niterói e os compromissos acadêmicos, oficinas e mini-cursos, levamos a semana toda. Perdi grana no banheiro feminino, fui assaltada às margens do rio mas, mas graças aos meus amigos e a um em especial, não me faltou nada, muito menos diversão ("Iiixi, é o que mais tem!").
Falando nisso... a Festa Norte! Todas as noites, no Gragoatá (Campus da UFF onde fica o bloco de Letras e que sediou o evento), uma festa homenageava uma região do país. Não há dúvidas, claro, que a melhor foi a Norte, com tempo quase integral dedicado ao Pará. Matamos a saudade do Carimbó e Tecno-Brega, regados à doses da Tequila da Brena, que bebemos na cuia, como bons paraenses! Depois da Lapa, foi o melhor dia! Quem diria, até o Fabrício bebeu! Aleluia, José Cuervo!
O melhor de tudo isso, na verdade, foi a integração da galera. O 2º ano da noite em peso, os poucos do 2º ano da manhã, os veteraníssimos da tarde e uma única calourinha. O Pará levou cinco ônibus, mas tenho certeza que a UEPA comandou. Amizades foram feitas, refeitas, criadas. Pegação, castanhada e até corações apaixonados. Snoopy e eu conhecemos um carioca gente boníssima, o Danilo. Pena que depois ele não lembrava da gente. Ganhei a amizade sem igual da Beatriz, a castanhinha mais louca que já conheci. Pude conhecer melhor duas pessoas maravilhosas, Brena e Ellen, que se mostraram amigas pra todas as horas, boas ou ruins. Declarei, mais uma vez, todo o meu amor e amizade pro Fabrício e me lembro de tudo que eu falei, hein?
Na quinta-feira, dia 23/07, foi nosso dia de turistar.
Subimos mais uma vez no Souza-Móvel e cruzamos a ponte Rio-Niterói pra conhecer o que desse. A gente viu muita coisa sem descer do ônibus, mas quando descemos foi só pra completar a perfeição de toda a viagem.
Uma caminhada do início de Ipanema ao Leme me deixou mais apaixonada pelo Rio do que eu sempre fui. Conversamos com o Drummond, passeamos pelo calçadão, demos uma de gringo pechinchando canga na praia (Snoopy, nunca esqueça que você "tem cara de brasileiro liso!") e tiramos fotos, muitas fotos! Sem contar no almoço maravilhoso e que deu a forra de todos os outros dias de frango-arroz-feijão-e-purê-de-abróba. Perfeito.
Entre tudo que pode e não pode ser revelado aqui (=P), durante essa viagem aconteceu muuuita coisa e, sem sombra de dúvida, todas ficarão na memória para sempre.
Já tô com saudade do Rio!
Até o ano que vem na Paraíba, ENEL, com certeza!


